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22 janeiro, 2012

SEGUIR JESUS


FORMAÇÕES

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Seguir Jesus

Ser membro de Cristo é ser membro comprometido com a comunidade
Nos Evangelhos, pode-se perceber a íntima relação entre o anúncio de João Batista e o anúncio de Jesus, que assume o caminho aberto pelo Batista, completando-o, como o caminho para a vida eterna em Deus. Na narrativa do Evangelho de João, a própria formação do discipulado em torno de Jesus se inicia entre os discípulos de João Batista.

Para os três primeiros discípulos, não há um chamado explícito, de forma sumária, como aparece nas narrativas de Marcos e Mateus. Nestas, às margens do Mar da Galileia, Jesus chama os discípulos que pescavam: ”Segui-me...”
Em João, a experiência do convívio com Jesus é que estabelece o vínculo do discipulado e leva cada discípulo a comunicá-la a outros. O breve diálogo que se estabelece é revelador: ”Que procurais?... “Mestre, onde moras?”... “Vinde e vede!” É doce o encontro com Jesus “onde ele mora”, isto é, na intimidade, na sua simplicidade e no seu acolhimento. Firma-se assim a vocação destes discípulos, que vão comunicá-lo a Pedro, que se faz também seguidor de Jesus.

A adesão a Jesus, Filho de Deus encarnado entre nós, se dá a partir de relações pessoais, em um processo comunitário. No Antigo Testamento, o chamado de Deus é feito em visões ou aparições individuais.
São Paulo usa as imagens dos membros do corpo e do templo para afirmar a unidade de todos em Cristo e a santidade do corpo. Pertencer a Cristo, ser membro de Cristo é ser membro da comunidade.

Ser membro de Cristo é ser membro comprometido com a comunidade, de corpo e espírito. A importância e a dignidade da corporeidade resultam da encarnação do Filho de Deus, pela qual o corpo, como mediador da solidariedade e da prática da justiça, é assumido na divindade. Seguir Jesus é anunciar ao que Ele pregou, viver como ele pregou e crescer sempre na busca de ouvir o que Ele tem a nos dizer.
 Vinde e vede!

Dom Eurico S. Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)
17/01/2012 - 08h10 

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30 dezembro, 2011

Ano Novo de Paz


Iniciamos o ano novo com grandes desejos, principalmente de superação de tantos desafios e consecução de harmonia e paz. Ao mesmo tempo em que olhamos para Maria como a portadora do Príncipe da Paz, queremos fazer o compromisso de sermos, também nós, os promotores da verdadeira paz, fundada na justiça e no amor. Sem realizarmos o projeto de Deus na vida, nós nos fixamos demais nos projetos pessoais e nos fechamos para a solidariedade com os outros, principalmente se eles não nos ajudam em nossos empreendimentos. O Filho de Deus veio nos ensinar que só nos realizamos e temos vida feliz quando somos capazes de nos doarmos em bem do outro. Assim, a construção da paz só é possível quando fizermos nossa parte para ela acontecer. A paz começa com a unilateralidade de nossa doação a um convívio de justiça, misericórdia, contribuição com o desenvolvimento da comunidade e promoção da política e de políticos que realmente têm grandeza de caráter para trabalharem pelo bem comum.

No ano de eleições precisamos colocar a mão na consciência e termos muito discernimento para olharmos para nossa ação missionária, que nos leva a promover o conhecimento e a vivência dos valores do Evangelho. Nossa ligação da fé com sua prática consequente nos leva a olhar pela promoção da vida plena, em que os mais deixados de lado tenham vez. As eleições municipais são importantíssimos meios para mudarmos muita coisa do que está errado na inclusão social dos mais empobrecidos. Formar a boa consciência política nos leva a indicar pessoas de qualidade moral e capacitadas para o exercício do mandato executivo e legislativo. Quem quer paz, na dimensão humana e cristã, é levado a superar todo tipo de corrupção ativa e passiva. Ninguém pode comprar ou vender voto, por isto ser coisa imoral e anti-cidadã. Quem já tem a máquina pública em mãos e vai disputar a reeleição, se não tiver altivez ética possui mais força para usar meios de corrupção para angariar votos. É preciso haver a consciência de cidadania dos eleitores para não se deixarem enganar.
Em sua mensagem de paz para o dia primeiro do ano novo, o Santo Padre sublinha o valor da educação à juventude para a justiça e a paz. É preciso saber escutar e valorizar o mundo jovem. É dever da sociedade.
De fato, a juventude deve formar nova base para uma sociedade de pessoas cônscias de sua cidadania para a promoção da vida, da autêntica liberdade e da paz. Ela deve ser formada para a valorização da vida, superando os mecanismos de morte, como a má formação da família, a lesão dos direitos, todo tipo de vício, desrespeito aos valores éticos, da boa política, da justiça e da solidariedade. Só assim se forma e se tem o resultado da paz. A família bem constituída dá base de sustentabilidade da boa formação da juventude.
O novo ano seja de grande progresso na nossa ação missionária de implantação dos valores do Evangelho da paz.
Constatamos que não basta apresentar o desejo do ano novo feliz. É preciso haver o compromisso e o real esforço para promovermos a cultura da justiça e da paz.

Dom José Alberto Moura

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros, MG

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19 dezembro, 2011

O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL



O Cardeal Arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis deixou a sua mensagem de Natal aos internautas do portal A12.com. Para o Cardeal, o natal deve ser a lembrança viva que o Filho de Deus assumiu a condição humana e veio habitar entre nós, para trazer a Salvação a todos.
Leia na íntegra a mensagem do Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis:
"Estamos no Advento. Tempo de preparação para o Natal. A Igreja cuida em preparar cada um de nós para viver plenamente o mistério da Encarnação do Verbo, concebido virginalmente por Maria Santíssima, e da vinda salvadora de Jesus. Nenhuma outra atividade deveria ser obstáculo para o nosso encontro com Jesus.
No entanto, somos constantemente estimulados ao consumo exagerado. As propagandas, as vitrines, as lojas, as luzes, o Papai Noel. enfim, tudo é apresentado de modo como se a felicidade estivesse condicionada unicamente ao ter. É claro que não há nenhum mal em dar e receber presentes. Isto é uma forma de demonstrar carinho e gratidão a quem a gente gosta. O perigo está em reduzir o Natal apenas a uma festa comercial, em que somente é feliz quem pode comprar e ter mais. Esquece-se o verdadeiro significado que deve ter a preparação do Natal.
Mas, afinal, o que o Natal deveria ser?
Deveria ser a lembrança viva que o Filho de Deus assumiu a condição humana e veio habitar entre nós, para trazer a Salvação a todos. Somente em Jesus encontramos a verdadeira alegria e experimentamos o amor infinito de Deus por nós. "Tanto Deus amou o mundo que lhe deu seu Filho Único" (Jo 3,16). Deveria ser oportunidade de conversão para uma vida nova. Tempo de praticar mais a solidariedade e o amor ao próximo.
Este é o verdadeiro espírito natalino! Se conseguirmos vivenciar este espírito, com certeza, teremos um Natal feliz, repleto de paz e amor.
Feliz e Santo Natal a todos!"

dom_damasceno.cardeal
Dom Raymundo Damasceno Cardeal Assis, Arcebispo de Aparecida
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16 dezembro, 2011

Amém !





O Anjo do Senhor anunciou a Maria! – E ela concebeu do Espírito Santo. Eis a escrava do Senhor! – Faça-se em mim segundo a tua Palavra. O Verbo se fez Carne! E habitou entre nós. A Igreja põe em nossos lábios, na oração do “Angelus” estas belíssimas expressões, intercaladas pela “Ave-Maria”, para recordarmos continuamente, três vezes ao dia, o mistério da Encarnação do Verbo de Deus no ventre puríssimo da Virgem Maria. É tanto verdade, que não nos é estranho ouvir os sinos de igrejas que convidam às “Ave-Marias”. Que tais badaladas continuem a ritmar de serenidade nossos passos tantas vezes agitados, mas sedentos de Deus!

O Anjo Gabriel anunciou a Maria! Os anjos são criaturas espirituais que assim são chamadas quando encarregadas de tarefas importantes. Aquele cujo nome significa “Força de Deus” veio à humilde cidade de Nazaré para comunicar a notícia dentre todas mais aguardada, objeto da esperança de séculos, alimentada pelos profetas. Com este anúncio, irrompe a maturidade dos tempos (Cf. Gl 4, 4), contando Deus apenas com a resposta daquela jovenzinha simples e aparentemente frágil. A coragem de sua resposta mudou a história (Lc 1, 26-38).

Maria nunca pronunciou a palavra latina “fiat”, pois não conhecia tal língua, como não sabia grego. Que palavra terá pronunciado naquele momento? Trata-se de uma palavra que todos conhecemos e repetimos com freqüência. Ela disse “Amém”, a palavra com que um hebreu exprimia seu assentimento a Deus. Ao lado das palavras “Abbá” ou “Maranatha”, também o “amém” foi conservado na língua falada por Jesus e Maria. Com esta palavrinha se diz tanta coisa a Deus: “se assim te agrada Senhor, eu também quero”. É como o sim total e alegre que os noivos são chamados a pronunciar no matrimônio.

Sua resposta não foi de resignação passiva. O verbo que o evangelista usa serve para demonstrar alegria, desejo, sadia ansiedade de que algo aconteça. Os fatos que se seguiram, quando visitou sua prima Isabel, nos fazem ver uma jovem que exulta, explode de felicidade. É que a fé faz as pessoas felizes. Crer é o que existe de mais bonito. É nossa maior honra e realização, que grita por um Amém!

Mas justamente aqui se encontra a dificuldade de nosso tempo. Dizer amém a qualquer realidade, mesmo se esta é próprio Deus, parece lesivo à liberdade. Não consentir, protestar, brigar, fazer cara feia, revoltar-se, parece ser a palavra de ordem. No entanto, acaba-se dizendo algum amém, nem que seja à própria amargura e à briga sistemática com tudo e todos.

Mas voltemos à nossa capacidade de crer. O mistério que se desdobra diante de nossos olhos durante os dias que passam parece incrível, “não acreditável”, mas nos move as raízes mais profundas. Olhar para a cena do presépio é o apelo da fé: contemplar a pequenez que se faz imensa, uma mãe com um recém-nascido ao colo, amamentado para depois repousar numa manjedoura, um José da vida que é São José, animais como testemunhas, pastores que representam os pobres e pequenos para que pequenos sejamos, reis magos vindos de longe atrás da estrela. É inesgotável a riqueza do que se descortina aos nossos olhos. E tudo começou com um amém!

E o Verbo feito Carne habitou entre nós! Ele vem de novo, como visitante que de pequeno se fez grande, é Senhor e Salvador, morreu e ressuscitou, nele estão todas as nossas esperanças, nele se encontra o rumo da existência humana. Em torno dele a história se desenvolve! Malgrado todas as nossas marchas e retrocessos, Ele é o Senhor da história, é princípio e fim de tudo! Amém!

A poucos dias do Natal, em tempo de presentes, uma oração antiga da liturgia ortodoxa (Cf. Raniero Cantalamessa, Gettate le reti, Ano B, PIEMME, 2004) ajuda a preparar um belo e enfeitado pacote para o aniversariante: “O que podemos oferecer-te, ó Cristo, em troca por te fizeres homem por nós? Todas as criaturas te trouxeram o testemunho de sua gratidão: os anjos com seu canto, os céus com a estrela, os Magos com seus dons, os pastores com a adoração, os céus deram as estrelas, a terra uma gruta, o deserto a manjedoura. Mas nós te oferecemos uma Mãe Virgem!” Amém!

A oração do Angelus, ao badalar das Ave-Marias, assim se conclui: “Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da Ressurreição!” E nós dizemos Amém!



Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém

09 dezembro, 2011

Alegria de Maria


Todos sentimos verdadeira decepção quando somos injustiçados em nossos direitos. Mas no ganho da causa em relação a isso, nossa alegria é evidenciada. Fez-se justiça!  Nos dizeres bíblicos vemos a grande realidade da ação de Deus que nos dá a garantia de sua ação: “Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações” (Isaías 61, 11). Baseado nessa ação do Senhor, o povo judeu teve a sustentação de sua euforia (Cf. Isaías 61, 10), repetida por Maria no Magnificat: “Meu espírito se alegra  em Deus” (Lucas 1,47).

A alegria de Maria é a nossa também! Ela foi escolhida para nos dar o Salvador. Estávamos perdidos para sempre. De repente a invenção de um projeto divino mudou nossa história. Não somos mais condenados à tristeza, conseqüência do desatino de nos colocarmos no lugar de Deus, deixando-O de lado no nosso encaminhamento de vida. Sem Ele não somos capazes de cuidar com verdadeiro amor do planeta e de quem vive nele. O senhorio de Deus nos enriquece de satisfação em tudo, contando com seu amor e suas coordenadas. Viver em Deus e deixá-lo viver em nós é causa de nossa realização humana. O próprio Jesus nos assegura: “Sem mim, nada podeis fazer”!

Já perto da celebração da presença humana de Deus em nossa história, somos convidados a rever nossa caminhada para percebermos até que ponto O deixamos agir em nós para termos a grande graça e a certeza de que com Ele vencemos nossos limites. Assim, somos capazes de promover a vida de realização plena para todos, mesmo dos mais decepcionados ou desesperançosos. Não são os sofrimentos, os limites humanos, os desafios da caminhada, os empecilhos que vão nos tirar a certeza da vitória e da superação de nossos limites. Com o amor trazido pelo filho de Maria somos capazes de recomeçar uma vida mais saudável e cheia de esperança, motivo de nossa alegria brotada da fé no Emanuel.

Nem as incompreensões e injustiças acontecidas com Jesus anularam a confiança de sua mãe. Ela acreditava nele. Acompanhou-o por toda a vida, até mesmo ao túmulo. Mas viu-o também ressuscitado! Pode verificar seu poder divino, espalhando a toda a humanidade o resultado de seu sacrifício redentor! Mais: ela viu a Igreja nascente a espalhar  até para povos distantes o Evangelho da promoção da vida. Torna-se verdadeira mãe de todos, pois, cooperou com a salvação da humanidade, dando-lhe o Salvador!

 Como é bom vermos o resultado de nosso sacrifício para realizar um projeto de grande extensão na vida! Quando realizamos o projeto do Criador, temos a certeza do resultado positivo. Nossa alegria então se verifica, não só num momento, mas sempre. É a alegria duradoura, garantida pelo próprio Deus, que age em nós! Nosso compromisso com a implantação do Reino de Deus nos torna aptos a contribuir com a implantação da justiça. Esta nos leva a trabalhar pela construção da verdadeira cidadania para todos. Como Maria, nossa alegria se torna indizível!

Dom José Alberto Moura, CSS

 

Dom José Alberto Moura, CSS

Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG




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